Feminicídio: até quando vamos culpar nossas mulheres pelos seus assassinatos?

Postado em Discussão, feminismo, Machismo, Mulheres com as tags , , , em 17 de fevereiro de 2012 por Ruiva

Essa semana MUITO foi falado do caso Eloá, assassinada pelo ex-namorado Lindemberg, cujo julgamento aconteceu a semana toda. A mídia, de modo geral, usou de todo seu sensacionalismo e blábláblá para tornar esse crime um crime passional. Semelhante ao caso de várias outras mulheres que tiveram suas mortes exploradas: Mércia Nakashima foi um exemplo. Seu agressor, até onde sei, está foragido.

A questão é que esses não são casos isolados. Não representam numericamente a totalidade de casos que ocorrem todos os dias. E não falo necessariamente de mortes, mas também estupros, espancamentos, perseguições, ameaças. Será que é tõ dificil assim percebem que essas mulheres só sofreram violência por ser mulher? Não porque traíram, porque enganaram, porque bateram (impossivel) num homem, porque eram péssimas pessoas. MAS PORQUE ERAM MULHERES.

Fiquei estarrecida com uma noticia essa semana: em uma FESTA DE ANIVERSÁRIO o presente do aniversariante foi: estupro coletivo. Seis mulheres foram vendadas, amarradas e violentadas pelos convidados da festa, que “invadiram” o lugar trajados como bandidos e armados, tendo entre eles o aniversariante. Duas delas reconheceram eles e foram mortas por isso. Ao todos, 10 homens participaram dessa barbárie. Detalhe: isso aconteceu semana passada. Em pleno século XXI, homens agem como nos primórdios das colonizações, em que a dominação era realizada através de violência sexual contras as mulheres. O que mais me choca é: como pessoas CONHECIDAS podem fazer isso com suas convidadas? O que passou pela cabeça deles? Isso é resultado do ás vezes defendido “homem é assim mesmo, precisa variar, precisa de sexo”? Sério…chamar de animalesco é raso demais. O que houve com essas mulheres foi a amostra da brutalidade contida no machismo.

O que está havendo no Brasil (não somente) há tempos, diariamente, é a perseguição violenta de mulheres, submetidas ao poder fisico masculino, á ineficiência do Estado em lidar com isso, ao machismo de outras mulheres que acham que isso nunca acontecerá com elas. Espero que nunca aconteça mesmo!

No blog Machismo Mata, há várias noticias sobre mulheres mortas, em sua maioria, pelos seus companheiros. E aívemos aqueles comentários chulos e rasos: “Por que ela foi morar com ele?” ,”Ela sabia onde tava entrando”, “Apanhou, sai de casa oras!”. Afinal, TODOS TEMOS AS RESPOSTAS PARA TUDO DECOR! E é claro que é culpa DA VÍTIMA se ela sofre violência. Uma mulher quando se casa, se casa pra apanhar mesmo, e se reclamar morre #not! Isso tudo é um absurdo sem precedentes. Por acaso, você leitor ou leitora, vêm com um manual de instruções escrito: sou machista, sou feminista, sou assim ou assado? Já percebeu que nessas historias, os homens são cavalheiros durante o namoro e só se revelam entre as paredes do seu “lar”? Já viu alguem REALMENTE reagir rapidamente ao medo de perder a própria vida, contra um agressor definitivamente mais forte?

Talvez, se a Justiça fosse rápida e certeira, as denuncias fossem maiores. Mas lendo o relato de Juliana Szabluk, vejo com tristeza que estamos longe disso se não lutarmos com afinco, reabrindo as feridas diariamente. Para resumir, Juliana sofre perseguição de um Stalker.  Teve sua vida transformada em um carcere privado, sendo ela A VITIMA. Agora luta pela sua liberdade, por não precisar mais se esconder, equanto seu agressor anda livremente pelas ruas de sua cidade.Mas sua cidade é maior e com mais recursos. O caso dela me lembra outro, com fim mais trágico. Vi na televisão em dezembro, um caso de uma mulher que foi estuprada por dois homens, em um banheiro público (não passo mais perto desses lugares sozinha nem a pau), em uma cidade com cerca de 3 mil habitantes. A policia foi acionada, mas os rapazes não foram presos (não lembro bem o por quê). Seu pânico era tão grande por ter de cruzar com seu agressores em uma cidade minuscula, que ela preferiu ATEAR FOGO em si mesma, a ter que conviver com aquilo. Ela morreu devido as queimaduras e seus agressores estão soltos, já que a principal testemunha do caso morreu. Vejam só, uma cidade sem recursos, onde a vitima era OBRIGADA a ver os criminosos todos os dias, testemunhando sua degradação e sua impotência de defender o próprio corpo.

Essa é a realidade da mulher brasileira. Pergunto-me ATÉ QUANDO? Como lidar com isso? COMO SOBREVIVER A ISSO? O feminicidio acontece livremente, e pouco é feito pela sociedade, que foca sua atenção á crimes isolados, esquecendo tantos outros sem solução.Espero que as melhorias na jurisprudência aconteçam para ELIMINAR esses casos, assim como a sociedade se mova para que essas barbaridades sejam panalizadas exemplarmente. No mais, espero que todas as mulheres sobrevivam e lutem, para que suas filhas tenham a chance de vislumbrar realidades melhores.

Ano novo, temas novos!

Postado em Homens, Mulheres, Nota, Opinião com as tags em 17 de fevereiro de 2012 por Ruiva

Esse ano resolvi mudar as coisas. Durante o ano passado muita coisa aconteceu, minhas perspectivas de mundo mudaram, e com isso, o blog mudará. Sinto uma necessidade ardente em usar melhor este espaço em prol das mulheres. Tentei fazer algo mais eclético, para ambos, mas receio que FEMINISMO não atraia homens. Eles não querem saber disso, não se responsabilizam pelo machismo, tampouco pela situação atual em que se encontram as mulheres. Não falarei só disso obviamente, mas quero ser mais uma voz nessa luta, provando que essas mulheres não estão sozinhas. No mais, pretendo aumentar as postagens diárias.

See ya!

Postagem de Fim de Ano!

Postado em Uncategorized em 21 de dezembro de 2011 por Ruiva

Por algum tempo estive pensando no que escrever aqui! Uma coisa chata aconteceu recentemente em minha vida e meio que me deixou no ar! A inercia dos acontecimentos me jogou um pouco longe, pela rapidez com que aconteceram. Mas nada é capaz de me derrubar violentamente. Para permanecer em pé, finquei raízes ao longo de anos. Não é qualquer vento que vai me derrubar. Porém, foi uma ventania capaz de romper raízes antigas, presas á ervas daninhas que eu mal podia perceber. Ao mesmo tempo, virou -me para vislumbrar com a visão mais bela que eu tenho: eu sou uma pessoa muito amada! Sou muito amada pelos meus pais, pela minha familia, pelo meu namorado, pelos meus amigos, pelas pessoas que se identificam comigo!

Durante algum tempo senti lágrimas quentes escorreram de meus olhos, pois minha alma está em tudo o que faço. Não há meio termo para mim. E isso é uma droga. Quando me é tirado algo precioso, é como se um pedaço fosse arrançado á forceps. No entanto, sou escorpiana nata, e toda parte perdida se regenera. Não da mesma forma, claro, e tampouco com menos cicatrizes. Cada marca revela um pouco do que fui, as vitorias e as derrotas. Muito mais do que isso, as pessoas que passaram por mim e compartilharam um pouco de si. Esse processo de regeneração é sempre doloroso, revoltoso, sentido, perdido, caótico. Não precisa ser longo. Quase nunca é. Basta ser penetrante e intenso. Dói na carne. Na alma. Mesmo uma parte pequena demanda de regeneração profunda, desde o menor caule até os frutos novos. E então vislumbro o resultado com muito orgulho: sou uma pessoa melhor. Não a mesma de ontem, e pior que a de amanhã, mas a melhor que posso ser hoje.

Todas as quedas que tive foram sempre molas para vôos mais altos, sem medo. Não costumo me segurar quando o impeto pelo novo toma conta do meu coração. Ainda mais quando percebo que ao meu redor estão sempre as mesmas pessoas que torcem constantemente por mim!

2011 foi um ano bom, apesar de tudo. Um ano em que curti com amigos, fui á grandes shows, vivi intensamente cada momento com meu amor (♥), descobri talentos profissionais desconhecidos. Ri demais, andei demais, e chorei de menos. Isso é uma verdade. Chorei só quando senti VONTADE de chorar. Não quando tentaram provocar meu choro. Porque minhas lágrimas são preciosas demais para derramar por qualquer coisa.

2012 tem tudo para ser o meu ano! Não porque ficarei rica (espero ficar mesmo!), pois nas condições atuais isso ainda vai demorar um tiquinho. Não porque vou viajar pelo mundo, pois tudo que preciso está tão perto! Não porque conhecerei muitas pessoas. Mas será meu ano porque farei tudo o que sempre fiz: lutarei pra ser feliz. Será meu ano porque conhecerei as pessoas certas! Farei bons amigos (sempre fui craque nisso ;) . Continuarei sendo a mesma namorada de sempre (espero que isso seja bom haha) dando o meu melhor. Estarei ao lado da minha familia, com esse amor incondicional que nos une. E vai ser o meu ano PORQUE CONTINUAREI A ME APERFEIÇOAR COMO PESSOA, MELHORAR COMO MULHER, AMPLIAR MEUS HORIZONTES, GANHAR FORÇAS A CADA OBJETIVO ALCANÇADO.

E para todos que lerão esse post (conhecidos ou não) desejo que 2012 seja um ano em que todos possam perceber-se amados, queridos, bem vindos entre as pessoas! Que a saúde nao falte, pois é fundamental! E nem disposição. Desejo ânimo, força e garra. Desejo que todas as dores sejam fortes só o suficiente para que possam se regenerar depois, como fênix em vida!  Além de muuuito amor! O resto, fica a cargo de cada um! Pois o mais importante, na minha opinião, não é ter pessoas que não atrapalham você, MAS TER PESSOAS QUE CAMINHAM COM VOCÊ!

Dedico esse texto aos meus PAIS, NAMORADO, IRMÃ, CUNHADO, SOGROS, AMIGOS E AMIGAS! Obrigada por tudo!

Feliz 2012!

P.S: Essa musica é minha musica preferida no mundo!

Violência contra a mulher: está na hora de dar um BASTA!

Postado em Discussão, Homens, Mulheres com as tags , , , , , em 26 de outubro de 2011 por Ruiva

Sinceramente, eu relutei em falar sobre isso por muito tempo. Por quê? Porque é muito triste saber que nossos pais, irmãos, amigos, colegas de trabalho, pessoas que vivem á nossa volta, e, absurdamente, até mesmo mulheres, podem compactuar com o machismo, o sexismo e a misoginia. O compactur não é somente concordar, mas também não fazer nada quando essas coisas acontecem. Porém, diante dos ultimos acontecimentos, não posso simplesmente ficar quieta, como se nada nunca acontecesse.

Vamos pelo começo. Há tempos venho acompanhando os excelentes posts do blog Escreve Lola Escreve, que me trouxeram para a realidade. Eu pensava ser feminista, mas não era. Não conhecia metade da realidade das mulheres brasileiras. Aliás, nós sempre conhecemos, o dificil era ver o quanto os nossos direitos são negligenciados em várias camadas da sociedade, pelos mais torpes motivos. Pior ainda é ver mulheres machistas, sem o minimo de informação, que acham que só assumir a sexualidade é o máximo que podemos chegar. Mas vamos ao tema do post.

No domingo, estava em casa e comecei a ver o caso da Rhanna, a jovem que teve o braço quebrado em uma balada porque não quis ficar com ele. Naquele momento eu tive um dejavu. Quantas de vocês, em uma balada, foram abordadas de forma incoveniente? Quantas vezes somos cantadas na rua por homens que nos gritam grosserias? Acho que ambas as respostas são: INCONTÁVEIS. Todas passamos por isso. Agora imagine você, na balada, com amigas, amigos, namorado, ou sei lá quem, dando um fora no cara e ele simplesmente QUEBRANDO seu braço. Simples assim. E depois da merda feita, ele vai embora. Nem desculpas rola, pra não falar que ele é sem coração né?

Colocando-me no lugar da Rhanna, eu fiquei desesperada de ver aquilo na TV. Mais desesperada quando nas redes sociais, sites, foruns, havia homens falando: “ah, mas não passa de uma vadia qualquer”, “mulher não gosta de pegada?”, “os ossos dela que eram fracos”. WTF? COmo assim? Quer dizer que uma guria que dá um não á um cara, mesmo que ela tenha beijado vários a noite toda (o que é um problema DELA) DEVE sofrer algum tipo de violência? É assim que as coisas funcionam? O ego do machinho alfa fica ferido e para reparar a honra da familia ele AGRIDE a moça? Mas que merda é essa?

Nos comentarios do post feito pela Lola, houve uma grande quantidade de casos de mulheres que sofreram abusos. Isso foi assombroso. Ainda mais que EU PERCEBI QUE JÁ SOFRI ABUSO TAMBÉM. Já tive cabelo puxado, já fui apertada á força, alisada, agarrada. Normalmente isso ocorre no meio de uma multidão de gente que, em sua maioria, não está nem aí pra você e então vem um cara do nada e te abraça forte. É a tal “pegada”.

Sinceramente, de onde eles tiraram que ISSO é pegada? Será que um “não” ou um “me solte” nao o suficiente pra entender que isso não agradou á moça? Tem que desenhar agora? Para piorar as coisas, há o fator “cooperativismo machista”, onde os seguranças das casas de show onde ocorrem esses casos simplesmente fazem cara de paisagem e colocam “panos quentes” na situação. Há aqueles que humilham a vítima, com frases do tipo: “Ah mas vc vem vestida de biquini e não quer ser assediada?” NÃO, NENHUMA MULHER QUER. Nossa roupa diz muito pouco sobre nós. A não ser que esteja escrito ME PEGUE E QUEBRE O MEU BRAÇO na camiseta, NÓS NÃO QUEREMOS NADA DISSO. Nem beijos forçados, nem apertões no braço, nada.

Há sempre os machos alfas, que se sentem a ultima bolacha do pacote com egos de 007pegotodasasbondgirls e, no fim da balada, quando não pegam nem gripe, saem se jogando em todas. Se você rejeita, vem os adjetivos doces e meigos #not de vadia pra baixo. As vezes me pergunto: esse povo tem mãe? Irmã? Primas? Qual a relação deles com as mulheres da vida deles? Será que namoram e ficam espancando as coitadas?

A troco de quê isso tudo?Meu pai sempre me ensinou que bater em mulher é covardia, porque você desmonta uma com uma só pancada. O que ensinaram os pais desses caras? Não querendo culpá-los pela cabecinha de ameba dos filhos, pois sei que tem muita mãe e pai que trabalha duro para dar o melhor, mas tem alguns individuos que não aproveitam as chances de evoluir. Isso é só um questionamento particular.

Para engrossar o caldo entornado, li em muitos lugares homens falando que lugar de mulher não é na balada. É onde então meu filho? Esquentando seu arroz? UHAUHAUHAUHAUHUHA Faça-me o favor né?

O que acontece atualmente é um grande absurdo. Não podemos mais estar sozinhas que isso significa que estamos disponiveis (#not). CLARO QUE NÃO. E nós temos todo o direito de escolher quem queremos que nos beijem, onde queremos ir, até que horas vamos ficar na rua, sem sermos agredidas por babacas infantis que não aguentam o não “daquela vadia”.

O bom da historia toda é que muitas mulheres estão denunciando, embora esse numero não represente a totalidade de casos, como se percebem nos foruns de discussão. No entanto, o movimento não pode parar. E as autoridades precisam tomar providencias para evitar que novos fatos como esses (ou piores) aconteçam. As casas de show tem responsabilidade SIM, pois tem obrigação de manter a segurança nos recintos, ter pessoal TREINADO para lidar com essas questões e ainda mais, combater QUALQUER ATO DE VIOLÊNCIA E PRECONCEITO, pois seu público é gente, igual a todos, pagantes de impostos e com os mesmos direitos.

E você? Já sofreu algum abuso?

Ignorância e preconceito: a polêmica do Rock in Rio!

Postado em Discussão, Hard Rock, Heavy Metal, Homens, Mulheres, Musica, Opinião com as tags , , , , , , em 5 de outubro de 2011 por Ruiva

Eu não ia falar sobre isso, sinceramente. É ridículo demais ficar dando ibope para pessoas medíocres, que usam seu poder midiatico para aumentar e disseminar os vários tipos de preconceitos nesse país. Porém, depois de ler a famigerada matéria do Yahoo hoje quando acordei e liguei o PC, senti minhas tripas revirarem. Fiquei PASMA (sim, muito pasma) ao ler o artigo PRECONCEITUOSO postado lá.

Vamos ao inicio de tudo: há duas semanas estamos acompanhando (eu não) os acontecimentos do Pop in Rio, OPS, Rock in Rio (que de rock, verdadeiro, só teve um dia). Não entrarei no merito de nomenclatura do evento, pois isso já foi exaustivamente comentado, e só demonstra como organizadores de eventos nacionais são toscos e medíocres. A unica coisa que me chamou a atenção foi o “desabafo” da cantora Claudia Leite, motivado pela vaia que ela recebeu no seu show. Ela teve a falta de bom senso de comparar METALEIROS á NAZISTAS. Sim, porque matamos muitos judeus, negros, gays, etc, com bigodinhos e fardas de soldados (#not).

Essa declaração foi o cúmulo do absurdo, na minha opinião, porque: 1) ao meu ver, vaias fazem parte da vida de qualquer artista, assim como pouco publico em inicio de carreira e publico totalmente desinteressado no que você está fazendo (como acredito que tenha sido nesse caso); 2) a Claudia Leite não conhece metaleiros, não sabe a ralação que é ir em shows grandes com esses preços absurdos, o preconceito que sofremos por usarmos roupas fora da moda ou do padrão, o valor que damos ás bandas que curtimos (e que reverenciamos por tooooda a vida). Se ela conhecesse um de nós verdadeiramente, não falaria absurdos; 3) ela tem CERTEZA que só metaleiros vaiaram ela? que eu me lembre, ela tocou no dia mais Pop de todos, e certamente o publico do metal que poderia estar presente seria uma quantidade irrisoria. PORTANTO, o preconceito foi mesmo NOSSO contra ela? (uso o nosso pois curto metal tambem e me incluo nessa).

Ah mas claro! A arruaça é típica de metaleiros. Só eles poderiam ter vaiado a baiana de São Gonçalo (WTF?) no dia do Pop! Afinal adoramos pop! Pagamos pra ver Rihanna e Katty Perry (#not).

Ela fala que nós nos achamos superiores porque curtimos Led Zepellin. Não é mentira. Nos achamos superiores sim, mas não por curtir Led. Mas por curtir POR DÉCADAS Led. Por ter em casa Cd’s, DVD’s, vinis, revistas, etc, lançados á 10,15,20 anos, guardados com todo orgulho. Porque passaremos isso aos nossos filhos para que eles conheçam nossos idolos. Acho que superiores é a paravra errada, o que somos é ORGULHOSOS, pois nossas bandas nascem, crescem e vivem eternamente em nossas peitas, materiais guardados, conversas e ingressos.

Assusta-me muito que pessoas com contato direto com a midia provoque mais preconceito, ao inves de diminui-lo. Assim como o povo que escreveu o artigo do Yahoo. Falando que brancos “se apossaram” de estilos criados por negros. Quer dizer que, por eu ser branca, não posso curtir metal? Não posso ter banda de metal? O fato de haverem muitos brancos na cena nada tem a ver com preconceito. Foi algo NATURAL. Esse separatismo racial SIM é preconceito. No entanto, não contente, o povo do yahoo foi mais longe. Além de roubarmos o estilo de negros, somos contra baianos.

Vejam só! SOMOS DECLARADAMENTE CONTRA BAIANOS, cearenses, pernambucanos e demais pessoas do Nordeste. Aff, DE ONDE RAIOS ELES TIRARAM ISSO?

Mais uma vez  IGNORANCIA predomina. Sabiam que há bandas baianas muito boas na cena metal? Assim como bandas de Brasilia, bandas do Rio de Janeiro, do Sul do país. Quem vive a cena sabe de tudo isso. Não adianta vir com lenga lenga de “ai no twitter falavam dos nordentinos” . UMA PARCELA falava dos nordestinos (não sei se é verdade, pois mal entro no twitter) e ninguem nem sabe se eram todos fãs de rock. Mas claro que eram! Afinal, TODOS somos nazistas, anti nordentinos, racistas. Alias, pra fechar, somos misoginos, machistas e sexistas. PRONTO! Chamem o FBI! Há um Hitler entre nós, quiçá um Mengele fazendo experiencias macabras. ¬¬

Isso TUDO só mostra que brasileiro gosta é de polemizar, não de refletir. Gosta de separar, não de unir. Um artista abre a boca e causa um reboliço. Então varias pessoas que NÃO CONHECEM METAL, vem com todo o seu preconceito, com falsas premissas de como somos, o que pensamos e do que gostamos, e pioram o conceito de algo que já é mal visto.

O problema não é o estilo musical, mas a energia que já estava impregnada em algumas pessoas. O desrespeito começa no nome do festival, que não contempla verdadeiramente todos os estilos que foram apresentados. E assim a coisa segue. Artistas discriminam um público que só pensa diferente. E então, alguem com um pouco de tempo sobrando, escreve um artigo que só piora a situação. Ninguem quer conciliar nada, explicar nada.

Por fim, espero que outros artistas tomem mais cuidado com o que falam. Assim como colunistas parem com essa generalização chula e sem cabimento. Uma unica verdade foi dita nisso tudo: rock é rock, axé é axé. Se o Metallica tocasse no Carnaval de Salvador, seria recebido de braços abertos? DUVIDO.

Mas e você? O que achou do festival e dos acontecimentos?

 

Obesidade mórbida e o preconceito social.

Postado em Discussão, Ficadica, Homens, Mulheres, Opinião com as tags , , , , , , em 22 de setembro de 2011 por Ruiva

Na ultima semana muito se falou sobre o tal remedio milagroso Victoza, divulgado por uma revista com grande credibilidade, como alternativa para emagrecimento rápido e sem “sacrificio”. Cristiane Segatto, colunista da revista Epoca, escreveu esse artigo aqui sobre os perigos por trás do uso de medicamentos sem acompanhamento médico. Tema do qual pouco tratarei aqui, pois já foi discutido em várias mídias. E assunto desse post foi baseado no comentario de uma leitora, nesse mesmo artigo da revista, com os seguintes dizeres: ONG pra proteger obeso mórbido que quer milagre, mas não quer nem saber de fechar a boca? Faça-me o favor né Cristiane?! Se toca (pra não dizer coisa pior)!!! Nenhum animal inocente deve continuar pagando com a vida pra um bando de gordo irresponsável continuar se entupindo de comida e procurando a “cura milagrosa” nesses venenos que eles chamam de remédio. Vi esses tempos atrás no Discovery Home & Health uma obesa mórbida que dizia que queria se curar, mas comia que nem uma vaca, escondida dos nutricionistas, e quando descobriram o que ela tava fazendo, ela riu como se brincar com a própria vida fosse uma piada maravilhosa! É isso que essas bolas gigantes de gordura vivem fazendo!!!! Faça-me um favor Cristiane: se for pra continuar escrevendo m… e defendendo a crueldade contra animais em favor desses lixos humanos, fica quietinha, tá?”

 Para contextualizar o que foi comentado, a autora do artigos faz referencia no subtitulo ás cobaias que são usadas em laboratorio (ratos, macacos e outros animais), em uma metafora que os obesos são constantemente usados como cobaias de programas de emagrecimento. Não irei entrar no merito de animais como cobaias, nem em nenhuma discussão filosofica/cultural/social/cientifica sobre isso, pois não é o o bjetivo do post. O que quero comentar é a “raiva” enraizada em cada linha escrita pela tal Carol (como se denomina a leitora que comentou). Ela culpa os próprios obesos pela situação que estão, como se isso fosse um desejo deles. E ainda usa termos horriveis como”vaca” e “bolas gigantes de gordura”! Pior que isso, há pessoas no mesmo artigo que CONCORDAM o.O.

Em minha leitura do artigo, em nenhum momento a autora disse que defende isso ou aquilo sobre cobaias. O “Xis” da questão é a utilização da polêmica obesidade como mola propulsora no estimulo de práticas negativas para a saúde. Vejam bem, a midia vive atolada de corpos perfeitos (photoshopados ou não), alia sucesso com beleza e publica mentiras sobre cuidados de artistas com o corpo. E sabe quais mentiras? Em nenhuma revista aparece todos os aparelhos que elas usam para manter a forma. Tampouco todos os especialistas que elas podem pagar para ajudá-las. E vendem á dona de casa uma formula magica para ficar igual á estrela da novela.

Todos notam como ser gordo é considerado “feio” pela midia. E o comentario deixado por essa leitora traduz bem o que uma grande parcela da sociedade pensa sobre gordinhos. Que todos são preguiçosos, que todos são gulosos, que são gordos porque querem. Ledo engano. A ciência em geral já confirmou através de diversos estudos que obesidade está intimamente ligada á problemas psicologicos. O alimento se torna a válvula de escape, onde o individuo encontra um meio de aliviar sua ansiedade, estresse, depressão. Há casos que isso é culturalmente enraizado na familia, onde os pais são obesos, os filhos e netos também. De qualquer forma, ninguem sofre com sobrepeso porque quer. Há aqueles, claro, que vivem bem com isso, já que sua genética favorece esta condição. Eles se aceitam como são e assumem sua aparencia. Há outros que se afundam cada vez mais no problema, agravado pela tendencia a engordar e pelos problemas de auto estima. Ambas situações, genéticas e emocionais, não dependem do QUERER do individuo. Elas simplesmente acontecem, como com qualquer pessoa.

Só porque você é magro hoje, não significa que será assim pra sempre. Assim como o inverso também é verdadeiro. Tudo vai da força de vontade e da falta dela. Assim como cuidados com saúde, alimentação, bem estar, auto estima, etc. De qualquer forma, acho um absurdo esse tipo de pensamento retrógrado de pessoas que simplesmente não conhecem as outra e saem julgando. Esse documentario da Discovery citado pela leitora deixa claro os transtornos psicologicos que obesos morbidos sofrem. Eles comem muito sim, mas é só isso que podem fazer. Muitos chegam á um ponto tão grave que param de andar, mal conseguem se vestir, tomar banho, se olhar no espelho. Trabalhando a empatia humana, deve ser terrivel se sentir inutil consigo mesmo. Vi em varias reportagens o sentimento de fracasso dessas pessoas. Dá pra melhorar? Dá sim. Mas isso depende de cada um. E se alguem não quiser? E daí? Cada um escolhe o que quiser.

O nosso papel, como sociedade, é compreender as diferenças e aprender a lidar com elas com HUMANIDADE. Já temos muitas pressões impostas a nós todos os dias pela midia, pelo mercado de trabalho, pela sociedade em que vivemos. Não precisamos engrossar esse preconceito sem motivo. Ainda mais, não precisamos tornar empresas farmaceuticas mais ricas, explorando essa “cultura da magreza” e comprando remedios sem testes comprovados. Comprando essas formulas magicas, em que somos diferentes do estereotipo midiatico imposto para os gordos, classificados como preguiçosos? Indo atrás de coisas que não exigem “sacrificio”, somos menos preguiçosos que eles? Lembrando que muita gente que consome essas formulas não são nem gordas, SÃO MALUCAS fixadas na tipologia de beleza estereotipada e deturpada.

Como uma pessoa que pratica atividade fisica constante, posso afirmar que podemos mudar nossa forma fisica com boa alimentação e atividades fisicas SIM! Mas isso não dá o direito de subestimar quem não é capaz disso por motivos que não sabemos. O culto ao odio pelas diferenças é o que faz com que o mundo esteja sofrendo com tanta violência sem explicação.

E você? O que acha dessa cultura magra?

 

Nós não queremos ser mães.

Postado em Discussão, Homens, Mulheres, Opinião com as tags , , , , em 20 de setembro de 2011 por Ruiva

 

Olá pessoas! Sim, estive fora bastante tempo e não pintou aquela inspiração para escrever nos ultimos dias. A correria é muita. Porém, o assunto do post de hoje é algo que eu já planejava discutir com vocês. Há muitos anos as mulheres podem optar pelo momento que consideram ideal para terem filhos. Tudo isso graças aos métodos para evitar dor de cabeça – anticoncepcional e outros métodos contraceptivos (ressalto que considero somente os métodos CIENTIFICAMENTE avaliados e aprovados). Nesse sentido, aquela historia de ser a parideira da familia, ter as ancas (odeio essa palavra) largas, indicando facilidade para parir, e ficar treinando o instinto maternal ao longo da vida foi perdendo a força. As mulheres trocaram de prioridades, dispensando energia significativa para desenvolver sua carreira e sua vida pessoal. Para a minha geração, nada mais normal que isso.

Nesse contexto de liberdade, igualdade e fraternidade (#not), há mulheres que optam por não terem filhos. E então, elas viram um E.T. Suas mães pressionam, as amigas pressionam, a sociedade pressiona, como se todas tivessemos a obrigação de dar vida á prole, afinal, mulher é a única capaz de fazer isso.

Essa pressão que falo começam sempre com gracinhas da nossa mãe, que já faz o enxoval (isso ainda existe gente?) da futura cria. Ela foi criada dessa forma e tenta passar para nossa geração esse pensamento. Em seguida vêm as amigas, que casam, engravidam e sempre dizem que nossa hora chegará (como se realmente quisessemos isso). No final, a sociedade proclama aos quatro ventos que todas as mulheres devem ter filhos, para valorizar esse “dom”, como se nos tornássemos meia mulheres se não o fazemos.

Vejam bem, quando eu uso NÓS, me incluo nesse nicho sim. Embora isso não seja determinante, não planejo ter filhos. PARA MIM isso ainda é uma opinião mutável, que pode sofrer interferencias ao longo dos anos. Nada mais normal. No entanto, há aquelas convictas que filhos não são objetivos, tampouco desejos. Seja lá qual for o motivo para tal decisão, é muito dificil sustentar tal opinião em sociedade e, pior ainda, no meio de outras mulheres.

Perguntem áquelas que optaram por esse caminho a cara que suas amigas fazem quando expoem sua opinião. E as frases: “Ah, mas você muda de idéia logo!”, “Quando eu tinha a sua idade eu pensava assim” (frase de tia), “Quando você engravidar, vai ver que perdeu seu tempo em não ter tido filho antes”, etc, etc, etc. Passamos a viver á margem da sociedade feminina, como se só fôssemos mulheres completas após ter filhos. E não há raios que façam essas mulheres mudarem de pensamento (tenho uma amiga que se faz de surda quando falo que não quero ter filhos -.-).

As próprias mulheres discriminam isso. E, ainda mais forte, têm discriminado aquelas que optam por cesária, pelo medo da dor, ao invés do parto normal ou humanizado (esse ultimo é o parto em casa). Nos ultimos meses, várias artistas tiveram seus rebentos em partos normais/humanizados, e sairam berrando aos quatro cantos que era uma maravilha. Como se todas fossem obrigadas a serem leoas que parem na selva e ainda lambem os filhotes para ficarem limpinhos (ecat!). Quer dizer que porque somos mulheres, não podemos ter medo de dor? Não podemos planejar um parto calmo e sossegado? Não podemos simplesmente marcar a data do nascimento e resolver o assunto sem horas de sacrificio? Somos menos mulheres por isso? Acho que não. (Vale lembrar que nem todas tem porte fisico para parto normal).

O que mais me surpreende é que, em sua maioria, as críticas a pessoas que não querem ser mães vem de outras mulheres. Onde está a união e compreensão que todas pregam que devemos ter com nossas próximas? Onde está o respeito ao direito particular de decidir sobre nossas vidas? Quer dizer que se eu tiver filhos, sou mais mulher que a outra que não teve? E aquela que teve o (maldito) parto normal (*medo*) é ainda muito mais fêmea que eu? AH VÁ SE CATAR!

Neste ano li alguns artigos da colunista da Epoca, Eliane Brum, que sempre escreve materias bacanas, mas, como todo mortal, escorrega na manteiga, falando sobre partos humanizados. O discurso ali empregado é agressivo a quem não opta pelo mesmo. Várias leitoras reclamaram disso nos comentarios, pois haviam artigos que exaltavam a “força feminina” de parir em casa, diminuindo aquelas que fazem cesária e ridicularizando ás que não tem filhos por opção.

Em minha concepção pessoal, assim como o aborto (que pretendo fala um dia sobre, sem polemicas por favor), como o tipo de metodo contraceptivo, como nossos parceiros, ter ou não filhos é algo que compete SOMENTE, E TÃO SOMENTE á mulher. E sua opinião DEVE ser considerada como algo particular, que, no fim das contas, não interfere na vida de ninguem.

Quem me conhece pessoalmente sabe que eu adooro criança e que minha opinião é somente algo íntimo para mim. Não possuo desejo de ser mãe, mas também não excluo essa possibilidade totalmente em minha vida (embora PARA MIM ela seja beeeeeem pequena). Isso muda alguma coisa pra alguém? Claro que não. Assim como tenho amigas que pensam da mesma forma, tenho outras que pensam o contrario e eu acho super normal.

A questão está no respeito de posições, independente do sexo. É como quando ouço algumas piriguetis que discriminam aquelas que escolhem ficar só com um cara, só porque elas ficam com varios, considerando isso como comportamento do século XXI (sim, já vivenciei algo assim ¬¬’). Ué, cada um é cada um. Quer dar pra todos, dê. Quer ter 10 filhos, tenha. Quer parir no parto normal, manda ver. Mas deixemos as diferenças no âmbito de cada pessoa, pois só a elas compete decidir sobre sua própria vida.  

E vocês, já passaram por alguma situação assim? Os meninos, já sofreram algum preconceito por parte de homens que esperam comportamento X de vocês?

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