Essa semana MUITO foi falado do caso Eloá, assassinada pelo ex-namorado Lindemberg, cujo julgamento aconteceu a semana toda. A mídia, de modo geral, usou de todo seu sensacionalismo e blábláblá para tornar esse crime um crime passional. Semelhante ao caso de várias outras mulheres que tiveram suas mortes exploradas: Mércia Nakashima foi um exemplo. Seu agressor, até onde sei, está foragido.
A questão é que esses não são casos isolados. Não representam numericamente a totalidade de casos que ocorrem todos os dias. E não falo necessariamente de mortes, mas também estupros, espancamentos, perseguições, ameaças. Será que é tõ dificil assim percebem que essas mulheres só sofreram violência por ser mulher? Não porque traíram, porque enganaram, porque bateram (impossivel) num homem, porque eram péssimas pessoas. MAS PORQUE ERAM MULHERES.
Fiquei estarrecida com uma noticia essa semana: em uma FESTA DE ANIVERSÁRIO o presente do aniversariante foi: estupro coletivo. Seis mulheres foram vendadas, amarradas e violentadas pelos convidados da festa, que “invadiram” o lugar trajados como bandidos e armados, tendo entre eles o aniversariante. Duas delas reconheceram eles e foram mortas por isso. Ao todos, 10 homens participaram dessa barbárie. Detalhe: isso aconteceu semana passada. Em pleno século XXI, homens agem como nos primórdios das colonizações, em que a dominação era realizada através de violência sexual contras as mulheres. O que mais me choca é: como pessoas CONHECIDAS podem fazer isso com suas convidadas? O que passou pela cabeça deles? Isso é resultado do ás vezes defendido “homem é assim mesmo, precisa variar, precisa de sexo”? Sério…chamar de animalesco é raso demais. O que houve com essas mulheres foi a amostra da brutalidade contida no machismo.
O que está havendo no Brasil (não somente) há tempos, diariamente, é a perseguição violenta de mulheres, submetidas ao poder fisico masculino, á ineficiência do Estado em lidar com isso, ao machismo de outras mulheres que acham que isso nunca acontecerá com elas. Espero que nunca aconteça mesmo!
No blog Machismo Mata, há várias noticias sobre mulheres mortas, em sua maioria, pelos seus companheiros. E aívemos aqueles comentários chulos e rasos: “Por que ela foi morar com ele?” ,”Ela sabia onde tava entrando”, “Apanhou, sai de casa oras!”. Afinal, TODOS TEMOS AS RESPOSTAS PARA TUDO DECOR! E é claro que é culpa DA VÍTIMA se ela sofre violência. Uma mulher quando se casa, se casa pra apanhar mesmo, e se reclamar morre #not! Isso tudo é um absurdo sem precedentes. Por acaso, você leitor ou leitora, vêm com um manual de instruções escrito: sou machista, sou feminista, sou assim ou assado? Já percebeu que nessas historias, os homens são cavalheiros durante o namoro e só se revelam entre as paredes do seu “lar”? Já viu alguem REALMENTE reagir rapidamente ao medo de perder a própria vida, contra um agressor definitivamente mais forte?
Talvez, se a Justiça fosse rápida e certeira, as denuncias fossem maiores. Mas lendo o relato de Juliana Szabluk, vejo com tristeza que estamos longe disso se não lutarmos com afinco, reabrindo as feridas diariamente. Para resumir, Juliana sofre perseguição de um Stalker. Teve sua vida transformada em um carcere privado, sendo ela A VITIMA. Agora luta pela sua liberdade, por não precisar mais se esconder, equanto seu agressor anda livremente pelas ruas de sua cidade.Mas sua cidade é maior e com mais recursos. O caso dela me lembra outro, com fim mais trágico. Vi na televisão em dezembro, um caso de uma mulher que foi estuprada por dois homens, em um banheiro público (não passo mais perto desses lugares sozinha nem a pau), em uma cidade com cerca de 3 mil habitantes. A policia foi acionada, mas os rapazes não foram presos (não lembro bem o por quê). Seu pânico era tão grande por ter de cruzar com seu agressores em uma cidade minuscula, que ela preferiu ATEAR FOGO em si mesma, a ter que conviver com aquilo. Ela morreu devido as queimaduras e seus agressores estão soltos, já que a principal testemunha do caso morreu. Vejam só, uma cidade sem recursos, onde a vitima era OBRIGADA a ver os criminosos todos os dias, testemunhando sua degradação e sua impotência de defender o próprio corpo.
Essa é a realidade da mulher brasileira. Pergunto-me ATÉ QUANDO? Como lidar com isso? COMO SOBREVIVER A ISSO? O feminicidio acontece livremente, e pouco é feito pela sociedade, que foca sua atenção á crimes isolados, esquecendo tantos outros sem solução.Espero que as melhorias na jurisprudência aconteçam para ELIMINAR esses casos, assim como a sociedade se mova para que essas barbaridades sejam panalizadas exemplarmente. No mais, espero que todas as mulheres sobrevivam e lutem, para que suas filhas tenham a chance de vislumbrar realidades melhores.


![obesidade[1]](http://mulherescarnivoras.files.wordpress.com/2011/09/obesidade1.jpg?w=450)
